A interdição da Estrada de Ferro Carajás, iniciada na tarde da última sexta-feira (13), na Terra Indígena Mãe Maria, no município de Bom Jesus do Tocantins, revela mais um capítulo da tensão entre lideranças indígenas e as obras de duplicação da ferrovia operada pela Vale S.A..
Segundo informações obtidas junto a fontes locais, 49 lideranças do povo Gavião participam da mobilização, que mantém o bloqueio da ferrovia como forma de pressionar por respostas sobre impactos ambientais e sociais atribuídos às obras de expansão da linha férrea.
Nos bastidores do protesto, lideranças indígenas afirmam que a mobilização é resultado de insatisfações acumuladas ao longo dos últimos anos, envolvendo questões relacionadas ao território, compensações socioambientais e diálogo com as comunidades afetadas pela ferrovia, que atravessa a Terra Indígena Mãe Maria.
O bloqueio tem impacto direto no transporte ferroviário da região. A empresa informou que, por questão de segurança, o Trem de Passageiros da Estrada de Ferro Carajás, que faz a ligação entre Parauapebas e São Luís, permanece com as viagens suspensas nesta segunda-feira (16) e terça-feira (17).
A Vale S.A. informou, por meio de nota, que acompanha a situação e que trabalha para restabelecer a circulação dos trens o mais breve possível, assim que houver condições de segurança para a operação.
Enquanto isso, o protesto segue chamando atenção de autoridades e moradores da região, já que a Estrada de Ferro Carajás é considerada uma das principais rotas logísticas do país, utilizada tanto para transporte de cargas minerais quanto para deslocamento de passageiros entre o Pará e o Maranhão.
Nos bastidores, fontes apontam que negociações podem ocorrer nos próximos dias entre representantes indígenas, órgãos públicos e a empresa, na tentativa de buscar uma solução para o impasse e permitir a liberação da ferrovia.
Passageiros afetados pela suspensão das viagens podem solicitar remarcação ou reembolso das passagens, com prazo de até 30 dias após a solicitação, segundo a empresa.
O caso segue em desenvolvimento e deve ganhar novos desdobramentos caso o bloqueio permaneça nos próximos dias.
Por Cléo Lopes





