Professora da UFRA e nutricionista apontam diferenciais dos produtos. O evento, que ocorre entre 13 e 16 de agosto na Praça de Esportes Radicais Wellison Farias, reúne gastronomia, ciência e valorização da produção local
A carne de búfalo e os seus derivados são as grandes estrelas do Festival Búfallo’s Gourmet. A sétima edição do evento movimentará Parauapebas entre os dias 13 e 16 de agosto, na Praça de Esportes Radicais Wellison Farias. Sob o tema “Sabores da Amazônia”, o evento deixa de ser apenas uma festividade culinária para se consolidar como uma vitrine estratégica da bubalinocultura regional.
O papel principal da carne de búfalo no festival é funcionar como um elo entre a riqueza biológica da floresta e a inovação gastronômica, demonstrando que esta proteína, ainda pouco explorada pelo grande público, é uma alternativa viável, sustentável e extremamente nutritiva para o prato dos brasileiros.
Do ponto de vista nutricional, a escolha do búfalo como centro das atenções se justifica pelos seus inúmeros benefícios à saúde. A nutricionista Jhenifer Lima destaca as excelentes propriedades da proteína. Segundo ela, a carne de búfalo e seus derivados merecem mais espaço na alimentação diária pois representam uma fonte de alta qualidade biológica: ” Ela é uma excelente fonte de proteínas de alto valor biológico, ou seja, fornece todos os aminoácidos essenciais para manutenção da massa muscular, recuperação dos tecidos e funcionamento do organismo”.
Outro ponto forte que promete atrair a atenção de consumidores conscientes durante o festival é o perfil lipídico favorável dessa carne. Muitas vezes evitada por quem busca dietas de controle de gordura, a carne vermelha ganha uma nova perspectiva com a opção bubalina. Jhenifer Lima aponta esse diferencial em relação à carne de boi tradicional: “Ela costuma apresentar menor teor de gordura total, menos gordura saturada e menores concentrações de colesterol em muitos cortes. Isso pode contribuir para uma alimentação mais equilibrada quando consumida dentro de um estilo de vida saudável”.
Além de seus benefícios diretos ao corpo humano, a carne de búfalo ganha relevância no festival por sua sinergia com o desenvolvimento sustentável da Amazônia. A Profa. Dra. Gislaine Gonçalves Oliveira, docente e pesquisadora da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA – Campus Parauapebas), explica que o fortalecimento dessa cadeia produtiva é crucial para a nossa segurança alimentar. De acordo com a pesquisadora: “A bubalinocultura (carne e leite) representa uma alternativa promissora, especialmente na Amazônia, onde os búfalos apresentam excelente adaptação às condições ambientais e podem ser criados de forma eficiente, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da região”.
A atuação da ciência surge como peça fundamental para que a carne de búfalo deixe de ser apenas uma matéria-prima bruta e passe a gerar emprego e renda verticalizados na região de Parauapebas. Para a pesquisadora da UFRA, o grande diferencial econômico para os produtores locais está na capacidade de processamento técnico da carne. Gislaine explica: “Assim como ocorreu com a muçarela de búfala, que se consolidou como um produto de alto valor agregado e reconhecimento internacional, a carne bubalina também apresenta grande potencial para a elaboração de hambúrgueres, linguiças, almôndegas, embutidos e outros produtos cárneos processados”.
Na cozinha do festival, os competidores serão desafiados a fundir a maciez e as propriedades da carne e dos queijos de búfala com a potência dos temperos e frutos paraenses. A nutricionista Jhenifer Lima ressalta que essa união enriquece a mesa e fortalece a identidade cultural do Pará: “Podemos pensar na carne de búfalo acompanhada de mandioca, jambu, tucupi, castanhas, banana-da-terra, pupunha e diversas hortaliças regionais. Quando conseguimos unir proteínas de qualidade com alimentos naturais e regionais, além de incentivar a economia local, promovemos uma alimentação muito mais rica nutricionalmente”.
Essa fusão entre a ciência dos alimentos e a culinária regional é endossada pela Dra. Gislaine, que sugere que os competidores — amadores e profissionais — usem a criatividade para criar pratos de fácil aceitação diária. Seu conselho técnico para quem vai disputar o festival foca justamente na experiência do consumidor: “Além de criar pratos inovadores, é interessante desenvolver receitas que possam ser reproduzidas pelo consumidor em casa, ampliando o consumo e a valorização desses produtos no dia a dia”.
Ao unir o saber acadêmico à prática comercial e à gastronomia, o VII Festival Búfalos Gourmet incentiva o consumo consciente, e busca o reconhecimento do trabalho dos produtores da Amazônia. Em sua mensagem final, a professora Gislaine resume a importância coletiva de iniciativas deste porte: “Acredito que a parceria entre universidades, setor produtivo e sociedade é essencial para transformar conhecimento científico em inovação, gerando produtos de maior qualidade, promovendo a segurança alimentar e contribuindo para o desenvolvimento sustentável da nossa região”.
Serviço:
O VII Buffalo’s Gourmet é apresentado pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura e da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, e tem Patrocínio Master da Vale. Conta também com o patrocínio do Hiper Senna e com apoio da Prefeitura de Parauapebas. A realização é da Associação Búfalos de Ferro (ABF), da Fundação Cultural do Estado do Pará (FUNCAP) — por intermédio da Lei Semear — e do Governo do Pará. As inscrições gratuitas para competidores vão de 1º a 31 de julho. Participe! Mais informações pelo site associacaobufalosdeferro.org ou pelo WhatsApp (94) 98807-9364 com Amanda Ste. Acompanhe as novidades pelo Instagram: @buffalosgourmet.




