Musicistas, maestras e solistas ajudam a construir a trajetória da OSTP desde 1996, ampliando a presença feminina na música de concerto
“Ser exemplo para outras meninas que desejam começar na música”. Esse é o sentimento da violinista Luiza Aires, de 22 anos, integrante da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP) desde 2021 e que encontrou no grupo a realização de um sonho profissional. A presença feminina tem sido parte da trajetória da Orquestra desde sua criação, em 1996, e segue contribuindo para fortalecer a música de concerto no Pará.
Luiza iniciou sua trajetória na OSTP aos 17 anos, encontrando oportunidades de crescimento pessoal e artístico. Para a jovem musicista, ocupar o posto de violinista também representa abrir caminhos para outras meninas interessadas em seguir carreira na música. “Ser mulher e estar na OSTP é servir de exemplo para outras meninas que querem começar na música, seja como deleite, trabalho ou vivência da música na sua forma mais profunda e profissional”, afirma.
Atualmente, a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz conta com 13 musicistas em sua formação, atuando em instrumentos como harpa, violoncelo, trompa, percussão, viola, violino e flauta, além da maestra assistente Laura Mathias Gentile, integrante desde março de 2025.
Presença feminina na música de concerto – De acordo com o maestro titular da OSTP, Miguel Campos Neto, a participação feminina faz parte da história da Orquestra desde a sua estruturação. “A presença feminina na OSTP existe desde o primeiro dia. Já era possível observar muitas profissionais, inclusive em papéis de liderança. É uma constante desde o início da Orquestra e que deve permanecer ao longo de toda a sua existência”, ressalta o maestro.
Ele também destaca a importância de ampliar o incentivo às mulheres na música orquestral. “Devemos criar ambientes acolhedores e respeitosos para que elas possam desenvolver seu talento e praticar sua arte, construindo suas carreiras. É fundamental incentivar as mulheres a participar cada vez mais do diálogo musical. Assim, a presença feminina seguirá crescendo na OSTP e em outras manifestações da música de concerto”, acrescenta.
Ao longo de sua história, a OSTP recebeu maestras convidadas, como Alba Bonfim, Mariana Menezes, Elena Herrera e Cibelle Donza. Esta última esteve à frente do concerto “Mulheres em Cena”, realizado no dia 3 de março, em celebração ao Dia Internacional da Mulher.
Na ocasião, Cibelle celebrou os dez anos de sua primeira passagem pela Orquestra. “Tenho uma relação muito especial com a OSTP, porque foi a primeira orquestra que regi e marcou o início da minha trajetória profissional como maestra, quando atuei como assistente. Ao olhar esse percurso, percebo o quanto cresci artisticamente”, conta.
Representatividade e formação – A participação feminina também se estende às apresentações que reúnem solistas e convidadas ao longo da temporada artística. Entre os nomes que já passaram pelo palco do Theatro da Paz acompanhadas pela OSTP estão Fafá de Belém, Adriana Azulay, Lígia Moreno e Thaina Souza, entre outras artistas.
Desde março de 2025, a assistência da Orquestra está sob responsabilidade da maestra Ana Laura Mathias Gentile, bacharel em Música com habilitação em Regência pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Ela participou de momentos importantes da história recente do grupo, como o espetáculo que reuniu os dois corpos artísticos do Theatro da Paz – Amazônia Jazz Band e OSTP – com a participação do tenor Marcio Gomes.
Para Laura, incentivar a presença feminina na música orquestral deve começar ainda na formação de base. “Ao longo da minha formação e do meu mestrado, em Nova York, recebi muito incentivo. Ainda assim, sinto que há um longo caminho a percorrer para as mulheres regentes”, afirma.
Ela também destaca a importância da representatividade no meio musical. “Na nossa área, ainda é difícil ter referências próximas. Quando cursei o bacharelado em regência orquestral, eu era a única mulher da minha turma. Outras mulheres só ingressaram anos depois, e acabei me tornando uma referência. É sobre essa representatividade”, relata.
Três décadas de história – Em 2026, a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz celebra 30 anos de história, arte e memória. Ao longo desse período, momentos marcantes contribuíram para a consolidação do grupo, como a criação do Festival de Ópera do Theatro da Paz, em 2002, além das tradicionais celebrações de aniversário da própria Orquestra.
Neste ano, a programação comemorativa inclui espetáculos no Theatro da Paz e concertos especiais em outros teatros e espaços culturais, reafirmando o compromisso com a formação de plateia e a ampliação do acesso à música de concerto no Pará.








