Com apoio da Sepi, estudantes da Aldeia Boa Vista se destacam com projeto que une tecnologia e ancestralidade
A equipe indígena JURUNABOTS conquistou o prêmio Equipe Revelação durante a etapa nacional do torneio First Lego League (FLL) – Unearthed, realizada entre os dias 6 e 8 de março, em São Paulo (SP). A participação no evento foi resultado da classificação obtida na etapa regional realizada no Pará, reunindo equipes de todo o Brasil em uma das maiores competições educacionais de ciência, tecnologia e robótica voltadas a estudantes.
A delegação paraense contou com cinco competidores indígenas, com idades entre 11 e 15 anos, da Escola Municipal Indígena Francisca Oliveira Lemos Juruna, da Aldeia Boa Vista, no município de Vitória do Xingu, no Sudoeste do Pará. Os estudantes representaram não apenas a escola e o município de origem, mas também o protagonismo da juventude indígena em espaços de inovação e tecnologia. O prêmio Equipe Revelação é concedido a equipes que se destacam pelo potencial, criatividade e espírito colaborativo ao longo da competição, sendo escolhido após uma nova avaliação dos juízes entre os participantes.
A participação dos estudantes contou com o incentivo da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas do Pará (Sepi), que acompanha iniciativas voltadas ao fortalecimento da educação indígena por meio da integração entre tecnologia, conhecimento científico e valorização cultural. Para a secretária de Estado dos Povos Indígenas, Puyr Tembé, a conquista representa um avanço importante para a presença de estudantes indígenas em espaços de inovação.
“A participação e o reconhecimento desses jovens mostram que a educação indígena também está conectada às novas tecnologias e à produção de conhecimento. É motivo de orgulho ver estudantes levando a cultura de seus povos para um ambiente de ciência e inovação, mostrando que tradição e futuro caminham juntos”, destacou a secretária.
Tecnologia aliada à memória cultural
Durante a competição, a equipe Jurunabots apresentou o projeto Museu Vivo Itinerante do Xingu, inspirado no tema da temporada deste ano da competição, voltado à arqueologia e às ciências da Terra. A proposta desenvolvida pelos estudantes consiste em uma maleta educativa que reúne réplicas de objetos culturais do povo Juruna, acompanhadas de conteúdos digitais acessados por QR Code com recursos de realidade aumentada.
Segundo o cacique Fernando Juruna, que acompanhou o processo de desenvolvimento do projeto, a iniciativa surgiu a partir da pesquisa realizada pelos estudantes e do diálogo com a comunidade. “A proposta busca preservar e divulgar a memória do povo Juruna sem retirar artefatos do território, valorizando a oralidade e os saberes tradicionais. O projeto também inclui conteúdos na língua indígena Juruna, fortalecendo a relação entre tecnologia, cultura e identidade”, afirma.
Juventude indígena em destaque
Para os estudantes, participar da etapa nacional representou uma experiência marcante de aprendizado, troca cultural e construção de novas amizades. A jovem Uandria Juruna, de 15 anos, destacou a emoção de competir oficialmente no torneio.
“Está sendo algo bem inovador para mim. Antes a gente participava como convidado, e agora estamos competindo de verdade. É uma sensação nova e emocionante poder conhecer outras pessoas e mostrar nosso trabalho. Minha expectativa era fazer uma boa pontuação nas provas e também me divertir com meus amigos”, contou.
O estudante Everton, de 14 anos, também ressaltou a evolução da equipe ao longo das participações no torneio. “A experiência está sendo muito boa. No ano passado nós participamos como convidados e agora estamos aqui como competidores oficiais. A equipe se dedicou muito para apresentar um bom projeto e ter um bom desempenho nas atividades”, afirmou.
A competidora Anandaiá, de 11 anos, destacou que a experiência também foi marcada pela convivência com equipes de diferentes regiões do país. “A gente fez muitos amigos lá e foi muito bom participar. Eu espero que a gente continue aprendendo cada vez mais”, disse.





